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Publicado Originalmente no Diário do Verde (10 de julho de 2011)

Por: Sandro Henrique Rodrigues Menezes • Categorias: Miradouro

Esta semana me recordei de um dia (dentre tantas recordações e tantos dias), um em especial. A Lú (minha companheira) morava em Cametá junto com sua irmã, cunhado e dois filhos (Pedrinho e Clarice). A Lú e o Pedro (seu cunhado) trabalhavam em uma ONG (a APACC) com projetos em andamento na região do Baixo Tocantins. Ao término do projeto e todo aquele processo de mudança de casa, município e trabalho novo, presenciamos este fato. Singelo, melancólico e revelador de uma percepção que só as crianças parecem ter.

No dia fatídico da mudança, moveis no caminhão, apagando as luzes, fechando o portão, depois de um dia um tanto quanto festivo para dar um ar de boas novas à mudança, onde teve um bom churrasco, boa música, as crianças brincando, correndo pelo jardim e quintal… Na hora da despedida em frente a casa uma amiguinha do Pedrinho disse para ele: “É Pedrinho, te despede da terra, do quintal, das árvores, dos passarinhos!” O Pedrinho riu. Eu e a Lú ficamos olhando a cena com um misto de comoção e constatação. A Lú perguntou o porquê ela havia dito aquilo. Ao que ela respondeu do alto de seus 9 anos: “Porque na cidade não tem isso aqui, é tudo asfalto, cimento e azulejo.”

Apagaram tudo
Pintaram tudo de cinza
A palavra no muro
Ficou coberta de tinta
Apagaram tudo
Pintaram tudo de cinza
Só ficou no muro
Tristeza e tinta fresca
Nós que passamos apressados
Pelas ruas da cidade
Merecemos ler as letras
E as palavras de Gentileza
Por isso eu pergunto
À você no mundo
Se é mais inteligente
O livro ou a sabedoria (…)”

(Gentileza – Marisa Monte)

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