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Nada se espalha como o medo

Ainda em uma onda paranóica e apocalíptica, o filme estaduniense (como diriaEduardo Galeano) “Contágio” (Contagion, Warner Bros, 2011) traz a baila não só a as discussões em torno da liberdade de expressão dos meios de comunicação, no caso, de blogueiros e a divulgação/omissão de informações sigilosas por parte de órgãos, pessoas ou governos. Informações estas de importante interesse social.

O filme inicia a partir do 2° dia da história e se desenrola na busca dos cientistas pelo R-0 (ou o paciente 0, o primeiro infectado) pela cura da nova doença. Neste meio tempo, entre a primeiras mortes suspeitas e a reação dos órgãos responsáveis pela segurança e saúde dos países envolvidos, cogita-se uma guerra biológica (reacendendo a guerra ao terror, leia-se terrorismo, nova bandeira, ou desculpa estaduniense para justificar suas ações além-territórios), um blogueiro vê na crise uma oportunidade. Enquanto as mortes se sucedem e o  pânico se instala, vemos as outras cores da natureza humana: egoísmo, violência e cinismos.

Mas como na maioria dos filmes hollywoodianos num ato de altruísmo heroico um estaduniense salva a pátria, e em tempo recorde (contrariando todas as rigorosas normas do FDA (U S Food and Drug Administration), criando uma vacina resolve o problema. E todos voltam a santa paz de seus lares.

O filme finaliza revelando o que acontece no 1° dia. A paciente R-0 é infectada porque o cozinheiro do restaurante em que jantou não lavou as mãos antes de cumprimentá-la. Por sua vez o porco que o cozinheiro preparava para o jantar havia sido infectado pelas fezes de morcegos que fugiram de seu habitat natural e encontraram abrigo nas baias de criação de porcos. O deslocamento dos morcegos se deu pelo fato de que a empresa de engenharia (suponho) na qual a paciente R-0 trabalhava derrubava as matas onde viviam os morcegos.

Já não vemos estes filmes repetidas vezes por aqui? A grande maioria das doenças que assolam, em especial a Amazônia, as chamadas de doenças silvestres são frutos de desmatamentos, ocupação territorial desorganizada.  O cardápio é longo: Malária, Esquistosomose, Dengue, Doença de Chagas, Leishmaniose, Filariose etc. A associação de condições de saneamento básico duvidosos, rede de assistência à população precárias e principalmente a desinformação/desarticulação de ambas as partes, população e poder público, tornam-se celeiros para enfermidades biossociais. Onde atitudes simples poderiam evitar males maiores esperamos que a salvação caia dos céus. A tomada de consciência é essencial para a saúde biopsicossocial. Vivemos no meio (ambiente) que degradamos.

1°: a relação meio ambiente e crescimento populacional (mal organizado, não planejado) é fator de risco para saúde do ser humano e para a saúde do meio ambiente. Logo, pensem antes de derrubar as matas.

2°: A sabedoria milenar do oriente, e hábito pouco frequente no ocidente, de entrar em casa e deixar os sapatos na porta, assim como lavar as mãos antes de comer ou quando se retorna para casa, diminuem a probabilidade de se perpetuar o ciclo de contágio e transmissão de uma grande infinidade de doenças.

Desde tempos imemoriais aos tempos de globalização prevenir sem foi, e será, melhor que remediar, pois como se diz no comercial “vai que…” Logo, é melhor não derrubar árvores e lavar as mãos antes de comer.

  • Sinopse do filme: Contágio segue o rápido progresso de um vírus letal, transmissível pelo ar, que mata em poucos dias. Como a epidemia se espalha rapidamente, a comunidade médica mundial inicia uma corrida para encontrar a cura e controlar o pânico que se espalha mais rápido do que o próprio vírus. Ao mesmo tempo, pessoas comuns lutam para sobreviver em uma sociedade que está desmoronando. (Fonte: http://interfilmes.com)
  • Traillerhttp://www.youtube.com/watch?v=u-eGomOPITc
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